ONG Capivari Monos

 

           

               
Os conceitos apresentados a seguir são úteis para entender como a floresta se forma e se desenvolve, orientando o planejamento da recuperação.
            Diante do atual nível de conhecimento, a maioria das iniciativas em recuperação de áreas degradadas vem utilizando como base os processos ecológicos, as características e particularidades das formações vegetais e seu funcionamento. Podemos destacar a sucessão ecológica, a diversidade de espécies, a interação flora-fauna, a regeneração natural e a relação planta-solo com elementos ecológicos que podem orientar e acelerar o processo.
A sucessão ecológica ou secundária é considerada o processo básico para orientar reflorestamento, sendo necessário entendê-la melhor, de maneira a explorar os diferentes aspectos desse fenômeno natural, que prevalece na organização de qualquer ecossistema.
 
 
Ao pé da letra poderíamos dizer que é o processo onde um grupo de organismos “dá espaço e condições” para que outro grupo o suceda, ao longo do tempo.
          
         Considera-se sucessão ecológica, o desenvolvimento da comunidade ecológica pela ação da vegetação sobre o ambiente e que conduz ao estabelecimento de novas espécies na formação do novo ecossistema. O processo de sucessão ecológica envolve, portanto, mudanças na estrutura das espécies e da comunidade, que resultam em modificações do ambiente físico e nas interações bióticas. Assim, a comunidade é quem controla a sucessão, embora o ambiente físico determine o seu padrão e velocidade de ocorrência.
Para alguns especialistas, a sucessão secundária é o processo que ocorre através das mudanças que se verificam nos ecossistemas após a destruição parcial da comunidade, que pode ser uma pequena área de floresta nativa devido à queda de uma árvore ou em vários hectares de uma cultura agrícola abandonada. Neste processo ocorre uma progressiva mudança na composição florística da floresta, partindo de espécies arbóreas pioneiras até espécies climácicas.
           
            È através da sucessão que uma floresta se renova; é como uma cicatrização de locais perturbados, ou clareiras, que ocorrem a cada momento em diferentes pontos da mata. Nestes locais há grande mudança nas condições ambientais, tais como aumento na quantidade de luz, da temperatura do solo e do ar, disponibilidade de nutrientes e um decréscimo da umidade relativa, entre outras modificações que favorecem o surgimento, inicialmente das plantas pioneiras, que necessitam de luz para iniciar seu desenvolvimento. Num segundo momento, aparecem as espécies secundárias, que necessitam de luz direta apenas em parte de sua vida, e finalmente as espécies clímax ou climácicas, que completam todo seu ciclo de vida em na sombra.
            Baseando-se nestas características, deve-se usar nos reflorestamentos, espécies que pertençam aos vários grupos da sucessão e considerando as condições do ambiente. Para facilitar a escolha das espécies e em que momento e local pode ser realizado o plantio, algumas destas características foram organizadas na tabela a seguir:

Tabela 1. Características de espécies florestais nativas do Brasil baseadas na sucessão secundária, aplicadas a atividades de recuperação de áreas degradadas.

            Além da sucessão, outro fator fundamental a ser considerado na recuperação vegetal de áreas degradadas é a diversidade de espécies.
            Muitos estudos mostram que nas florestas tropicais a alta diversidade é típica, caracterizada pela presença de poucos indivíduos de uma espécie por unidade de área. Estima-se que em um único hectare (10.000m2) de floresta natural possam ser encontradas de 100 a 400 espécies de árvores.
            Assim, a adoção de práticas que considerem a diversidade de espécies do local, o estímulo a presença de animais, que polinizem, dispersem e promovam cada vez mais interações ecológicas na área que está sendo recuperada, irá acelerar o processo e conduzir a auto-sustentabilidade da floresta que está sendo formada.
            Algumas técnicas alternativas e de baixo custo vêm sendo estudadas para implementar a sucessão, baseadas na interação flora-fauna. Conhecida como nucleação, esta ferramenta para a restauração ambiental é entendida como a capacidade de uma espécie em propiciar uma significativa melhoria ambiental, permitindo um aumento na probabilidade de ocupação deste ambiente por outras espécies.
            As principais técnicas nucleadoras são:
            - Uso de espécies bagueiras: envolve o plantio de espécies capazes de atrair fauna diversificada;
            -Colocação de poleiros artificiais: atrai principalmente aves e também morcegos que dispersarão sementes de outras espécies, além das que foram plantadas nos modelos convencionais;
            - Plantio de mudas em ilhas de diversidade: formação de pequenos núcleos com plantas de diferentes formas de vida (arbustivas, herbáceas, arbóreas...), se possível prevendo contínua disponibilidade de alimento a fauna.
            - Transposição de solo e serapilheira: utilização da camada orgânica do solo ou topsoil e/ou a serapilheira contendo propágulos, sementes dormentes, microorganismos, nutrientes que propiciam um enriquecimento biológico da área que está sendo recuperada.

            Não se deve esquecer que o acompanhamento e monitoramento do processo, independente das técnicas escolhidas, é fundamental para o sucesso do projeto. 

 

 

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