ONG Capivari Monos

 

           

            A situação atual das áreas degradadas nas diferentes formações florestais de todo o estado de São Paulo é especialmente preocupante. Estudos estimam a existência de mais de 1,3 milhão de hectares de áreas marginais a cursos d’água sem vegetação ciliar (Barbosa e Barbosa, 2007). Para atender a essa projeção, os reflorestamentos exigiriam a produção de, pelo menos, dois bilhões de mudas de espécies nativas.
            O último inventário florestal da vegetação natural do Estado de São Paulo, publicado em 2005 pelo Instituto Florestal e Secretaria do Meio Ambiente, apontou que resta pouco mais de 32.000 hectares de vegetação remanescente no município de São Paulo, considerando a macro região da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, sendo que a maior parte está fragmentada em pequenas áreas, com no máximo 10 hectares cada.
            Como uma das conseqüências deste processo de degradação e fragmentação das áreas, têm sido perdidas muitas espécies, o que pode ser constatado na última lista de espécies da flora ameaçadas de extinção. Publicada pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente através da Resolução SMA 48/04 esta lista apresentou a existência de 1085 espécies nativas ameaçadas de extinção, sendo 240 delas, arbóreas, com algum grau de ameaça.
            Assim, muitas iniciativas vêm sendo realizadas visando recuperar essas áreas que estão perdendo ou já perderam parte da sua biodiversidade.
            Recuperar uma área degradada pode ter vários significados, principalmente dependendo do objetivo da ação.
            Pode-se dizer que a pesquisa sobre recuperação de áreas degradadas é recente e envolve diferentes áreas do conhecimento, apresentando divergência na interpretação de conceitos. Sendo assim, é importante a definição de alguns conceitos básicos para compreensão do panorama geral da recuperação de áreas degradadas.
            Recuperação pode ser definida pela Lei Federal 9985/2000 como “restituição de um ecossistema ou de uma população silvestre degradada a uma condição não degradada, que pode ser diferente da sua condição original”, ou seja, o princípio da recuperação envolve o retorno das principais características e funções do ecossistema degradado.
            Outro termo que costuma ser usado é Reabilitação, que pode ser entendido como o retorno de uma situação estável alternativa, mediante forte intervenção antrópica, sem a qual o ecossistema permaneceria em condição irreversível de degradação.
            E ainda há o termo Restauração, que pode ser entendido como o retorno completo às condições originais ou pré-existentes ou ainda o mais próximo possível de sua condição original. Neste caso, muitos autores consideram remota ou utópica essa possibilidade mediante os níveis atuais de alteração do ambiente e a falta de informações sobre o ecossistema antes do impacto.
            Pode-se usar também o termo Reflorestamento, que considera o plantio de florestas em áreas consideradas florestais, cuja vegetação tenha sido suprimida.
            Aqui adotamos o termo Recuperação de áreas degradadas (RAD) para nos referir genericamente a esses processos citados anteriormente.
            No processo de recuperação de áreas degradadas, um dos pontos mais importantes e cruciais refere-se aos aspectos relacionados à tecnologia de produção de sementes e mudas, já que a qualidade dos reflorestamentos está intimamente ligada à qualidade dos indivíduos que o compõem.
            Estes aspectos têm mostrado que a obtenção de sementes e mudas com qualidade, principalmente com diversidade específica e genética, constitui-se hoje em um fator limitante à implantação de programas a longo prazo e que possam ser conduzidos adequadamente.
            Tais fatos evidenciam a importância do trabalho dos viveiros de mudas de espécies florestais, já que ainda são poucos aqueles que consideram as bases científicas no processo de produção.
            Muitos projetos de reflorestamentos heterogêneos com espécies nativas vêm fracassando devido ao pouco conhecimento de técnicas, principalmente sobre a biologia e a ecofisiologia das espécies utilizadas, acrescentando-se ainda, a estes fatores, a falta de critérios técnicos fundamentados em pesquisa e o pouco conhecimento da dinâmica das florestas.
            Diferentemente dos últimos 15 anos, onde as práticas de recuperação eram voltadas para o simples plantio de mudas, caracterizando mera silvicultura, atualmente, nos programas de reflorestamentos, há uma forte tendência em buscar condições que promovam a auto-renovação da floresta, utilizando técnicas que simulam as condições e os processos que ocorrem naturalmente após uma agressão ao ambiente florestal e que restaurem as complexas relações ecológicas e suas funções no ecossistema.

 

 

 

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