ONG Capivari Monos



                      

         
      
           Uma APA, área de proteção ambiental, segundo a lei n° 9.985, DE 18 de julho de 2000, também conhecida como SNUC, tem como objetivos básicos proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais. Porém, diferente de outras unidades de conservação, numa APA a propriedade das terras pode ser tanto pública quanto privada.
           A APA Capivari-Monos é uma unidade de conservação de uso sustentável, ou seja, busca compatibilizar o uso dos recursos naturais e a conservação ambiental e tem como características grande extensão, certo grau de ocupação humana, e conseqüentemente uma diversidade de ambientes, cada qual com suas potencialidades e fragilidades.
          
             Sua denominação tem origem ligada aos dois rios (Capivari e Monos), localizados no extremo sul do município de São Paulo. O Rio dos Monos é o principal afluente do Capivari e a bacia é conhecida por Capivari-Monos. Atualmente a região não apresenta registros de ocorrência do macaco mono-carvoeiro, também conhecido como Muriqui (Brachyteles arachnoides). Os antigos moradores dizem que o nome do rio foi dado pela existência naquela área, tempos atrás, desta espécie de primata (http://www.apacapivari.cnpm.embrapa.br/).
            A criação da APA se deu no dia 09 de junho de 2001, pela Lei Municipal 13.136, sancionada pela Prefeita Marta Suplicy, cinco anos após a criação e aprovação de seu projeto de Lei pelo Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável - CADES, do Município de São Paulo.
            Do objetivo geral de se proteger a área, destacam-se alguns específicos desta APA, como a conservação da biodiversidade, dos recursos hídricos, do patrimônio arqueológico e cultural e a manutenção do caráter rural da região de Parelheiros, onde se insere.
            A Área de Proteção Ambiental de 251 km² é uma unidade de conservação de uso sustentável que visa compatibilizar a conservação da natureza com o manejo ativo dos recursos naturais. Nela encontram-se as Zonas Especiais de Preservação que são o Parque Estadual da Serra do Mar, Reserva Particular de Patrimônio Natural Curucutu (única da cidade), remanescentes da Mata Atlântica, aldeias indígenas guarani Krukutu e Tenondé Porã, estação ferroviária Evangelista de Souza, Cratera da Colônia, os rios Monos e Capivari e parte das bacias hidrográficas das represas Guarapiranga e Billings. Os bairros que fazem parte da APA são: Barragem, Cidade Nova América, Vargem Grande, Engenheiro Marsilac, Evangelista de Souza, Jardim dos Eucaliptos, Gramado, Ponte Seca, Ponte Alta e Embura do Alto.
            De acordo com a sub-prefeitura de Parelheiros, a região abriga espécies de fauna e flora em extinção, como o porco do mato, a lontra e mamíferos de médio e grande porte. Além disso, guarda o último rio limpo de São Paulo, o Capivari, que representa uma reserva estratégica de água potável para a região metropolitana, prestando um importante serviço ambiental: o de produzir 24% da água que abastece São Paulo.

            Diante das características diferenciadas desta região, por questões legais e para uma ordenação territorial mais eficiente da APA, foi realizado um zoneamento ecológico e econômico, levantando potencialidades e fragilidades da área, o que permite um uso sustentável da região e funciona como instrumento de gestão.
            Este zoneamento econômico-ecológico ou geoambiental é uma necessidade instituída no momento da criação da APA, e foi estabelecido através da Lei Municipal 13.706/03, determinando as normas de ocupação e uso do solo e de utilização dos recursos naturais, organizando o espaço da APA em áreas com graus diferenciados de proteção. Assim, a APA ficou dividida nas seguintes zonas: Zona de Regime Legal Específico (ZRLE); Zona de Vida Silvestre (ZVS), Zona de Conservação e Uso Sustentado dos Recursos Naturais (ZUS); Zona de Uso Agropecuário (ZUA); Zona de Requalificação Urbana (ZRU); Zona Especial de Proteção e Recuperação do Patrimônio Ambiental, Paisagístico e Cultural do Astroblema Cratera de Colônia (ZEPAC); Zona de Interesse Turístico, Histórico e Cultural (ZITHC). E além dessas Zonas, o Zoneamento também estabelece as seguintes Áreas: Áreas de Recuperação Ambiental (ARA) e Áreas de Preservação Permanente (APP).
            Além disso, foi criado um Conselho Gestor da APA, disposto pelo Decreto nº 45.892/05, com representantes de vários setores, incluindo a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente – SVMA, que em conjunto planejam programas em diversos segmentos, como: levantamento de flora, fauna, arqueologia e fundiário; sistema de informações geográficas; educação ambiental; geração de renda através de atividades sustentáveis; ecoturismo e incentivo ao uso de tecnologias agrícolas menos agressivas e impactantes.

       

            A APA Capivari Monos localiza-se no extremo Sul do município de São Paulo, na área de Proteção aos Mananciais, abrangendo 75% do território da Subprefeitura de Parelheiros, fazendo parte da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo.
            De acordo com a sub-prefeitura, limita-se a Norte pelo divisor de águas do ribeirão Vermelho (bacia Guarapiranga) e pelo limite da Área Natural Tombada de Cratera de Colônia (bacia Billings), a Leste com o município de São Bernardo do Campo, a Oeste com os municípios de Embú-Guaçu e Juquitiba e a Sul com o município de Itanhaém. A altitude na região varia entre 747m, próximo a represa Billings e 890 m, na Serra do Mar; e o clima é temperado e úmido, com média anual de 18ºC, podendo ser classificado como mesotérmico.
            A vegetação ocorrente na região é a Floresta Ombrófila Densa, uma formação da Mata Atlântica, que abriga enorme diversidade de plantas e animais. Esses fragmentos de vegetação têm papel fundamental na proteção hídrica, principalmente porque nesta região encontram-se as nascentes de vários cursos d'água que abastecem a região metropolitana de São Paulo. Trechos das bacias hidrográficas da Guarapiranga, da Billings e a totalidade da bacia hidrográfica do Capivari-Monos estão inseridos na APA.
            A presença de várias espécies de bromélias, orquídeas e árvores não pioneiras indicam um certo grau de conservação da vegetação nos fragmentos da região. Porém, há uma carência de estudos sobre a composição florística e informações sobre a ocorrência de espécies de plantas ameaçadas de extinção na região, o que poderia subsidiar ações mais eficazes e específicas para conservação da biodiversidade desta importante área.
            Em relação à fauna, os moradores e visitantes ainda conseguem ouvir o som das arapongas, dos tucanos e muitas outras aves e apreciá-las durante as caminhadas.
            Além disso, foi registrada a presença de algumas espécies de mamíferos com algum grau de ameaça de extinção. De acordo com estudos da Divisão de Medicina Veterinária e Biologia da Fauna da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, a onça-parda (Puma concolor) é uma ilustre moradora da região, em especial da Fazenda Capivari (bacia hidrográfica do Capivari-Monos), na área do Núcleo Curucutu do Parque Estadual da Serra do Mar e na Aldeia Indígena da Barragem, respectivamente.
            Em geral, faltam estudos e projetos voltados a fauna e flora na região da APA Capivari Monos, sendo estas informações fundamentais para trabalhos de qualquer natureza, sejam de educação ambiental, políticas públicas ou recuperação ambiental, entre outros.

             
           

 

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