ONG Capivari Monos

 

                    

            Sendo as sementes elementos de reprodução das plantas, costuma-se considerá-las um “insumo essencial” em qualquer processo de recuperação de áreas degradadas, seja ele realizado através do plantio convencional de mudas, ou técnicas alternativas como a transposição de banco de sementes, chuva de sementes, condução da regeneração natural e outros.
            Na produção de mudas nativas, em especial, não basta simplesmente obter sementes, é necessário que sejam de qualidade, a qual é determinada por fatores genéticos, fisiológicos e físicos.
            Para recuperação florestal com espécies nativas, uma semente de qualidade é aquela que possui alta variabilidade genética, máxima maturidade fisiológica e alto grau de pureza (São Paulo, 2006) e que certamente produzirão mudas de boa qualidade.

            E como produzir sementes com qualidade?

            O primeiro passo é conhecer um pouco mais sobre cada espécie de árvores, sua reprodução, sua relação com os animais e os principais fatores ambientais de interferência (água, luz e solo), a partir do que, pode-se usar de técnicas eficientes para a obtenção de boas sementes.
            A produção e tecnologia de sementes buscam: usar o conhecimento sobre as plantas e suas características, aprimorando os tratamentos a serem dados para as sementes e, com isto, obter lotes com a maior qualidade possível. Os processos iniciam-se com a identificação de matrizes, seguida pela colheita, necessidade ou não da secagem, separação de materiais inertes, impurezas ou sementes de outras espécies misturadas, pelo acompanhamento ou análise da qualidade, possível armazenamento, até a semeadura e germinação.
            Porém, a maioria das florestas brasileiras apresenta uma grande diversidade de espécies, não permitindo que se apliquem técnicas iguais para todas. Como exemplo, citam-se os vários tipos de frutos e sementes que existem numa floresta (frutos com polpa, com ou sem aroma, com ou sem cores chamativas, secos, com estruturas aladas, com espinhos ou pêlos, que se abrem ao secar, com diversos formatos e tamanhos). Assim, esta imensa diversidade morfológica (na forma) e fisiológica (no seu funcionamento) exige tratamentos e técnicas diferenciadas em muitos casos.

            Outra pergunta que devemos nos fazer é: qual o melhor momento para colher?

            O primeiro ponto a ser considerado é a maturidade do fruto/semente. Deve-se observar e acompanhar esse processo para que os frutos sejam colhidos no ponto mais próximo possível da maturidade, o que permite maior qualidade fisiológica e aumenta as chances de uma boa germinação.
            Neste estágio, quando a semente atinge o máximo poder germinativo e vigor, caracteriza-se o ponto de maturidade fisiológica. Deste momento em diante, inicia-se o processo de deterioração, muito influenciado pelas condições do ambiente.
            Alguns indicadores práticos podem auxiliar na avaliação do ponto de colheita, levando em consideração modificações visíveis no aspecto externo dos frutos e sementes, como a coloração e o tamanho, a freqüência de visitação dos animais etc (Figura 1), sendo recomendado utilizar o maior número possível de indicadores em conjunto.

 

Figura 1 - Alterações na coloração durante o processo de maturação de Byrsonima ligustrifolia (A) e Eugenia brasiliensis (B).

            Porém, vale ressaltar que cada espécie tem o seu “momento certo” e, além disto, a produção pode variar de espécie para espécie, e até mesmo de ano para ano. Existem muitas espécies que apresentam irregularidade na produção, com anos “gordos” (com boa produção) e anos com baixa ou nenhuma produção, deixando claro a importância do planejamento na colheita de sementes.          

 

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